«Vou deixar-te por uma mulher jovem e bonita, e tu já não dizes nada», declarou o marido à mesa durante a festa, tentando humilhar a esposa diante de todos os parentes. A reação da esposa deixou todos sem palavras. Viktor estava convencido de que aquela noite marcava o início de uma nova vida para ele.
Ele estava sentado à mesa como o anfitrião, com um copo na mão e um sorriso satisfeito. A mãe e a irmã estavam ali perto. A mãe olhava para ele com orgulho, como se fosse um herói, enquanto a irmã verificava continuamente o telemóvel, fingindo indiferença, mas anotando mentalmente cada um dos seus gestos.
« Vou deixar-te por uma mulher jovem e bonita, e tu já não dizes nada », repetiu Viktor, tentando humilhar a esposa. Mas a resposta dela deixou todos surpreendidos. Viktor tinha o telemóvel no bolso. Havia mensagens de outra mulher — jovem e ousada — que lhe prometia « sentimentos verdadeiros ». Ele já tinha em mente separar-se mentalmente da esposa. Ele a havia apagado da sua vida.
A esposa estava parada perto da janela. Ela não se sentou.
O apartamento cheirava a pato assado e ao perfume forte da sogra. O ar estava denso e sufocante, como antes de uma tempestade. Ela sentia um nó no estômago, mas o rosto permanecia sereno. Há muito tempo ela havia percebido: aquela noite era tudo uma encenação.
Viktor riu alto, de forma artificial. Bebeu um uísque caro e contou a mesma história que a esposa já tinha ouvido muitas vezes. Depois bateu com a palma da mão na mesa e disse:
«Por que estás aí parada? Serve-te de um pouco de vinho.»
Ele piscou para a mãe, que suspirou fingindo compaixão:
«Pobre filho… como consegues suportar tudo isso? »
A irmã riu e tirou uma selfie encostada à mesa.
Viktor levantou-se. Ajeitou o casaco. Bateu com a colher no copo. Todos ficaram em silêncio.
Começou a falar em voz baixa, quase doce. Contou sobre os presentes que comprou para a mãe e para a irmã. Lembrou quem era o verdadeiro sustento da família, quem pagava as contas, quem tomava as decisões.

Então olhou para a esposa. O seu olhar era frio. Estranho.
«Não aguento mais», disse ele. «Estou cansado. Quero o divórcio.»
Fez uma pausa, como para saborear o momento:
«Tenho outra mulher. Jovem. Viva. Em breve iremos para Bali. A minha família aprova a minha escolha. E tu já não dizes mais nada.»
O silêncio tornou-se ensurdecedor. Dava até para ouvir o zumbido do frigorífico.
«Vou deixar-te por uma mulher jovem e bonita, e tu já não contas para nada», repetiu Viktor, tentando humilhá-la. A resposta da esposa, porém, destruiu-os a todos.
«Ótimo», disse ela.
Viktor ficou surpreendido. A mãe suspirou de alívio.
«Então vou livrar-me do que não preciso», continuou a esposa com voz calma. «A casa é minha. O carro também.»
Ele olhou-a diretamente nos olhos.
«E a empresa, caso te tenhas esquecido, está em meu nome. Tudo foi registado em meu nome, para que o fisco não te incomodasse. Lembras-te?»
A irmã levantou a cabeça bruscamente. A sogra empalideceu.
«Então agora», continuou a esposa, «não tens mais nada.»
O silêncio era tão denso que se ouvia o tique-taque do relógio.
A esposa aproximou-se da porta.
« Agora, todos fora da minha casa. Imediatamente. »
« Você está louca?! » exclamou Viktor, levantando-se de um salto.
Ele abriu a porta de batente.
« Vocês têm exatamente dois minutos. Depois, chamarei a polícia. »
A sogra gritou e a irmã apressou-se a recolher as suas coisas. A esposa agarrou casacos, jaquetas e bolsas e atirou-os para o corredor.
« Mais rápido. » A voz era fria. « Só tu ficas aqui. »
Viktor foi o último a ser empurrado para fora. A porta fechou-se com força. A fechadura clicou.