A chave não encaixava.
Inna estava sentada na escada do quinto andar, com a mala aos pés, tentando entender o que estava errado. A chave entrava na fechadura, mas o metal batia em algo novo, estranho. Tentou novamente. E mais uma vez. Em vão. Ela apertou a campainha. Passos foram ouvidos atrás da porta, e então a porta se abriu um pouco, segurada pela corrente. Na fresta estreita, o rosto de Margarita Pavlovna olhou para ela como se Inna tivesse vindo pedir esmolas.
— Você não mora mais aqui — disse sua sogra. — Meu filho te deixou.
Inna olhou em silêncio. Após um momento, perguntou:
— O que você disse?
— Kiril decidiu tudo. Ele trocou a fechadura, e eu vim apoiá-lo. Você está sempre fora, ele está cansado. Faça suas malas e vá embora.
A porta se fechou com força. O clique da fechadura ecoou alto, definitivo. Inna ficou olhando para seu apartamento — o apartamento que havia comprado, cujos documentos estavam na sua bolsa. Ela pegou o telefone e, sem tirar os olhos da porta, discou um número:
— Senhor Piotr Nikolaevici? Preciso de ajuda. Imediatamente. O advogado chegou quarenta minutos depois, junto com o policial do setor. Inna mostrou os documentos — o contrato de compra e venda em seu nome, o extrato do registro. O policial acenou com a cabeça e anotou algo.
Subiram. Inna ligou a campainha, e Margarita Pavlovna não abriu imediatamente. Por quase três minutos, ouviu-se o barulho atrás da porta, e então novamente a corrente.
— O que vocês querem? Já disse…
O policial mostrou sua identificação.
— Por favor, abra a porta. Você está ilegalmente em um apartamento que não lhe pertence.
— Como assim não me pertence?! Meu filho está registrado aqui!
— O registro não confere direito de propriedade — disse Piotr Nikolaevici. — Abra voluntariamente, caso contrário a porta será aberta à força.
A corrente rangeu e caiu. A porta se abriu.
No corredor havia cheiro estranho — um ambientador enjoativo que Inna nunca comprara. No cabide, pendia o casaco da sogra; na prateleira, os chinelos dela. Inna entrou na sala. No sofá, havia uma almofada amassada com flores rosas. Na mesa, pratos sujos e restos de comida. Margarita Pavlovna se instalara como se estivesse em casa.
— Onde está Kiril? — perguntou Inna.
— No trabalho — disse a sogra, cruzando os braços. — Ele vai chegar e explicar tudo pessoalmente.
— Ligue para ele. Faça-o vir.
— Não vou incomodá-lo! — respondeu Margarita Pavlovna.
— Ligue — repetiu o policial. — Ou nós entraremos em contato com ele.
A sogra pegou o telefone e falou rapidamente, nervosa.
— Ele estará aqui em vinte minutos.
Inna sentou-se na beira do sofá. O silêncio pesava. O policial estava próximo à porta, Piotr Nikolaevici folheava os documentos. Quinze minutos depois, a chave girou na fechadura. Kiril entrou pálido, com a testa úmida, os olhos correndo entre Inna, sua mãe e o policial. Abriu a boca, mas não disse nada.
— Explique o que está acontecendo — disse Inna calmamente.
Ele engoliu em seco e olhou para a mãe.
— Kiril está cansado das suas ausências, entende? Você ganha dinheiro, e ele fica sozinho. É difícil para um homem quando a esposa ganha mais. Você o humilha com suas viagens de trabalho. Ele trabalha modestamente, e você sempre mostra quem manda aqui!
— É verdade? É assim que pensa? — perguntou Inna.
Silêncio. Kiril umedeceu os lábios e esfregou o rosto com a mão.
— Mãe, não precisa…
— Como assim “não precisa”? — virou-se para ele Margarita Pavlovna. — Estou mentindo? Você não se queixou que ela não te valoriza?
— Mãe, por favor, pare.
— Não vou parar! Diga a ela você mesmo, você é homem ou não?
Inna se aproximou de Kiril.
— Você trocou a fechadura do meu apartamento?
Ele olhava para o chão.
— Trouxe sua mãe para falar no seu lugar?
— Kiril, você tem trinta e sete anos. Diga ao menos uma palavra.
Nada. Apenas respiração pesada e olhar evasivo.

— Deixe-o em paz! — interveio a sogra. — Agora vamos, você vai morar comigo, e ela fica sozinha com o dinheiro dela!
— Senhora — disse o policial levantando a mão — por favor, não interfira. Deixe-o responder sozinho. Kiril finalmente levantou a cabeça. Tentou um sorriso triste.
— Inna, vamos… conversar calmamente? Eu não quis que fosse assim…
— Você trocou a fechadura ou não?
— Bem… sim, mas minha mãe me aconselhou, disse que seria melhor assim…
— Que o apartamento é meu? Que eu te carreguei por cinco anos, e você se queixava à sua mãe de como era difícil?
— Eu não me queixei…
— Você se queixou! — interrompeu a sogra.
Inna se voltou para a sogra:
— Pegue suas coisas e saia do meu apartamento. Imediatamente.
O policial e o advogado explicaram os direitos dela e que, se não saíssem voluntariamente, seriam removidos à força. A sogra recolheu suas coisas; Kiril permaneceu em silêncio.
Inna sentou-se no sofá, olhando pela janela. Dentro estava vazio, limpo, só dela.
No dia seguinte, ela entrou com o pedido de divórcio. Kiril não ligou. A sogra enviou uma mensagem: “Você vai se arrepender.” Inna apagou sem responder.
Uma semana depois, ela embalou os pertences dele e os levou para a casa da mãe dele. Fechou a porta do apartamento. O ar frio entrou, afastando o cheiro estranho. O cômodo estava limpo. Só dela.
E se provou mais simples do que parecia.