Ela disse como se estivesse me fazendo uma oferta de negócios. Bateu a porta com força e disse para ela ir embora — porque se o dinheiro era a única coisa que importava, poderia procurá-lo em outro lugar.
Daniel desabou no sofá e cobriu o rosto com as mãos. Samantha ficou em pé, tentando controlar a respiração. A raiva havia sido intensa, mas agora ela sentia um cansaço pesado nos ossos.
— “Sinto muito de verdade,” sussurrou Daniel. “Não sabia que ela faria algo assim.”
— “Você não sabia?” perguntou Samantha, com os braços cruzados. Daniel hesitou.
— “Bem… Isabelle veio ao meu escritório na semana passada. Me convidou para jantar. Eu disse não. Mas ela é teimosa. E quando minha mãe soube… agarrou-se como se fosse uma boia de salvação.”
Samantha sentou-se ao lado dele.
— “Daniel, seja honesto. Você pensou nisso?”
— “Não. De jeito nenhum. Eu te amo. Nunca me venderia para uma milionária só porque minha mãe quer uma cozinha nova.”
Samantha respirou fundo, aliviada, mas cautelosa.
— “Então, por que não me contou sobre Isabelle?”
Daniel fez uma careta.
— “Porque eu sabia que isso causaria estresse. Pensei que, ignorando-a, ela desapareceria.”
— “Bem, ela não desapareceu,” disse Samantha. “E sua mãe também não.”
Daniel deitou-se no sofá e olhou para o teto.
— “Vou cortá-la completamente. Falo sério. Ela ultrapassou um limite que eu nem sabia que existia.”
Mas Samantha já estava pensando adiante.
— “Daniel, sua mãe não vai deixar isso passar despercebido. Ela acredita que está fazendo o que é melhor — pelo menos financeiramente. Para ela, dinheiro resolve tudo.”
Ele assentiu lentamente.
— “Eu sei.”
— “E ela vê Isabelle como uma oportunidade de ouro. Isso significa que vai tentar novamente. Talvez vá direto falar com Isabelle. Talvez tente nos sabotar.”
Daniel massageou as têmporas.
— “Ela pode fazer isso. Não é… estável nessas coisas.”
— “Então precisamos de um plano.”
Daniel olhou surpreso com a calma dela.
— “Um plano?”
— “Sim,” disse Samantha. “Precisamos nos proteger. Nosso casamento. Nossa casa.”
Nesse momento, o celular de Samantha começou a vibrar. Uma mensagem de um número desconhecido:
— “Olá, Samantha. Sou Isabelle Trent. Acho que devemos conversar.” Samantha sentiu o estômago se contrair. Daniel leu por cima do ombro dela.
— “Oh, não…”

Logo chegou outra mensagem:
— “Prefiro falar em particular. Acho que você está interpretando mal minhas intenções.”
Samantha olhou para a tela, surpresa.
— “Ela tem meu número. Como ela conseguiu meu número?”
Daniel engoliu em seco.
— “Minha mãe.”
— “Claro,” murmurou Samantha.
O celular vibrou pela terceira vez:
— “Não busco drama. Busco clareza. Por favor, me ligue.”
Samantha colocou o celular como se fosse radioativo. Daniel segurou sua mão.
— “Você não precisa responder.”
— “Sim, preciso,” disse ela baixinho. “Preciso saber exatamente com quem estamos lidando.”
Daniel não protestou.
Na manhã seguinte, Samantha ligou para Isabelle. O que Isabelle revelou mudou tudo — não apenas para Samantha e Daniel, mas também para Evelyn.
A voz do outro lado era quente, segura e surpreendentemente cortês.
— “Olá, Samantha. Obrigada por ter ligado.”
Samantha não se preocupou com formalidades.
— “Por que você contatou meu marido? E por que sua mãe diz que você quer se casar com ele?”
Riu levemente pelo telefone.
— “Porque sua mãe interpretou tudo errado.”
Samantha franziu a testa.
— “Interpretou errado?”
— “Sim,” respondeu Isabelle. “Daniel é talentoso. Excepcional. Eu o contatei para oferecer uma posição na minha empresa — não um pedido de casamento.”
Samantha piscou.
— “Uma posição de trabalho?”
— “Sim. Estou montando uma equipe estratégica. Vi o trabalho de Daniel por meio de uma de nossas empresas parceiras. Sua mãe pensou que meu interesse fosse… romântico.”
Samantha sentiu o coração desacelerar.
— “Então você não está tentando me substituir?”
Isabelle suspirou.
— “Absolutamente não. Mal conheço ele. E mesmo que tivesse interesse, não persegue homens casados.”
Samantha se sentou à mesa da sala de jantar.
— “Então, por que não corrigiu sua mãe sobre Evelyn?”
— “Tentei,” disse Isabelle. “Mas ela insistiu que eu devia ser ‘discreta’ e que já tinha entendido minhas verdadeiras intenções. Quando alguém está obcecado por uma fantasia, a lógica raramente vence.”
Samantha sabia que era verdade.
Isabelle continuou:
— “Entrei em contato para ter transparência. Não quero tensão por causa de uma proposta de trabalho. Daniel merece a posição pelo mérito — nada mais.”
Samantha respirou fundo.
— “Obrigada pela sua honestidade.”
— “Uma última coisa,” disse Isabelle. “Sua mãe também contatou minha família várias vezes. Alegou que Daniel e eu somos ‘feitos um para o outro’ e perguntou se poderia participar das nossas decisões domésticas e profissionais.”
Samantha massageou a testa.
— “E ela fez o quê?”
— “Sim,” disse Isabelle delicadamente. “Minha assistente documentou tudo. Se necessário, posso te mostrar.”
Samantha sentiu uma mistura de vergonha e raiva.
— “Não precisa. Mas obrigada.”
Após encerrar a ligação, Samantha encontrou Daniel andando pela sala.
— “Então?” perguntou.
— “Ela não está tentando se casar com você.”
Daniel suspirou de alívio.
— “Graças a Deus.”
— “E sua mãe?” acrescentou Samantha.
— “Ultrapassou todos os limites.”
Daniel parou.
— “E agora?”
Samantha abriu uma pasta que havia preparado.
— “Agora, estabelecemos limites.”
Dois dias depois, quando Evelyn apareceu sem avisar, correndo pela entrada pronta para retomar a conversa sobre a “fortuna da família”, Samantha não a deixou entrar. Entregou-lhe um documento impresso.
— “O que é isso?” perguntou Evelyn, ofendida.
— “Um acordo escrito sobre limites,” disse Samantha. “Você não entrará em contato com Isabelle. Não se intrometerá em nosso casamento. Não proporá separação por motivos financeiros. Daniel decidirá sozinho se aceitará a posição — isso não tem nada a ver com romance.”
O rosto de Evelyn ficou vermelho.
— “Ela te disse? Aquela mulher me humilhou!”
— “Não,” disse Samantha. “Você fez isso sozinha.”
Evelyn olhou para Daniel.
— “E você acha certo que ela me trate assim?”
Daniel se posicionou ao lado da esposa.
— “Mãe, você quase destruiu nosso casamento por dinheiro. Se quer permanecer em nossas vidas, este é o limite.”
A boca de Evelyn abriu e fechou, sem palavras. Pela primeira vez, ela entendeu que havia perdido o poder. Samantha, calma e firme, fechou a porta.