“Aqui quem manda sou eu, eu sou a mãe, e tu não és ninguém!” — disse a sogra, sem saber que eu já havia trocado as fechaduras e chamado a polícia. Eles já planejavam como “reeducar” a proprietária do apartamento.
O sábado chegou após dois dias que pareceram uma eternidade para Marina. Ela chegava tarde do trabalho, trancava-se no quarto e trabalhava, tentando não sair. Tamara Igorevna travava uma verdadeira guerra de guerrilha: ora “acidentalmente” mudava os sapatos dela, ora lavava o suéter de caxemira a 60 graus (que encolheu, ficou do tamanho de uma boneca), ora falava alto ao telefone com parentes sobre a “nora-cobra”.
Na manhã de sábado, Marina acordou com um barulho estranho. Alguém estava mexendo nos móveis. Eram 8h da manhã. Dia de folga. Ela vestiu o roupão e saiu para a sala. Parou em choque. No meio do cômodo, dois homens desconhecidos, em macacões sujos, empurravam o sofá italiano dela para a parede. Tamara Igorevna comandava tudo, gesticulando como uma maestrina.
— Mais para a direita! Isso! E aqui colocamos a estante!
Antoșa, ajude os rapazes!
Anton, de calça de moletom, puxava uma cômoda velha submissa.
De onde tinha saído aquela cômoda?!
— O que está acontecendo aqui?! — explodiu Marina.
A sogra se virou, radiante de satisfação.
— Ah, acordou a Bela Adormecida! Decidimos fazer uma pequena reorganização. Dissemos ao Antoșa que o apartamento de vocês estava frio, como um hospital. A tia Valya tinha uma estante “Abelha”, quase nova, de ’98! E uma cômoda romena! Coisas sólidas! Agora vamos colocar cortinas — trouxe as minhas, com lambrequim de veludo — e vamos viver como pessoas!
Marina observava o apocalipse do kitsch: móveis de MDF na cor “cereja estragada”, uma cômoda descascada, botas sujas no seu parquet de carvalho.
— Fora, — sussurrou ela.
— O que disse?
— FORA!!!
O grito foi tão forte que os carregadores pararam imediatamente.
— Tire tudo. Agora. E leve essa senhora com você também.
— Senhora, fomos pagos para trazer os móveis…
— Pago o dobro. Só tirem do meu apartamento.

— Como assim?! — gritou Tamara Igorevna. — Eu?! Como se fosse móvel?! Antoșa!
Anton ficou entre elas, dilacerado.
— Marina, talvez deixemos a cômoda no corredor… Minha mãe só queria ajudar…
— Você escolhe a cômoda? — perguntou Marina calmamente. — Escolhe entre mim e a cômoda velha da sua tia?
— Escolho a paz na família! — gritou ele. — Você é egoísta! “Meu apartamento, minhas regras”! Eu sou seu marido!
— Bens comprados antes do casamento não se dividem — disse Marina com calma. — Mas não é disso que se trata. Você me traiu agora mesmo.
Ela se virou, pegando uma pasta e o telefone.
— Vou chamar a polícia. E a imigração. Senhora, você não está registrada aqui, certo?
Anton ficou branco. Arrancou o telefone dela e desligou.
— Você está louca! Vamos embora! Agora!
— Te amaldiçoo! — gritou Tamara Igorevna. — Vai morrer sozinha!
Eles foram embora. Com os móveis. Com o escândalo. Com tudo.
Quinze minutos depois, o apartamento estava vazio. Apenas marcas de sujeira no chão e cheiro de perfume barato.
Marina não chorou. Respirou fundo.
Era o SEU ar.
Abriu a janela de par em par. O vento frio limpou tudo. Lá embaixo, Anton e a mãe discutiam, pequenos como formigas.
— Senhor, obrigada — sussurrou ela. — Obrigada por me mostrar a verdade agora.
O telefone vibrou: “Crédito do carro — quitado integralmente”.
Ela jogou a frigideira velha no lixo.
— Nova vida — novo humor.
Abriu a champanhe.
— Pela liberdade.
O telefone tocou: “Marido amado”.
Bloqueou.
Bloqueou também a “sogra”.
Naquele silêncio, Marina recuperou sua dignidade.
Estava em casa.
E em sua casa não havia mais lugar para quem não a respeitava.