Hoje o drone decolou, como sempre. Era apenas um voo de teste nas periferias da cidade, onde ficam os antigos galpões enferrujados das fábricas abandonadas. O ar estava limpo, o céu estranhamente calmo. Ninguém esperava nada fora do comum.
As imagens no início pareciam banais: estacionamento vazio, janelas quebradas, paredes cobertas de grafite. O drone subiu lentamente e passou por cima de um dos telhados. Nesse momento, a câmera mudou automaticamente o foco.

No centro do telhado, surgiram marcas recentes na poeira. Não eram pegadas de animais. Nem de sapatos. Algo irregular, como se um objeto pesado tivesse sido arrastado de um lado para o outro. As marcas levavam até uma grande forma coberta por um plástico preto.
O operador pensou, a princípio, que fosse apenas lixo.
Então o plástico se mexeu.
Não havia vento.
O drone se aproximou. A imagem ficou mais nítida. Debaixo do plástico, uma mão surgiu — imóvel, pálida. O operador imediatamente chamou as autoridades. As filmagens foram entregues à polícia, mas o que realmente inquietou não foi apenas a evidência encontrada sobre o telhado.
Ao revisar o material, perceberam algo no canto da imagem.