Início » — Você vai pagar o casamento do meu filho, porque nós não temos dinheiro — declarou minha sogra.

— Você vai pagar o casamento do meu filho, porque nós não temos dinheiro — declarou minha sogra.

by ptimpress1303
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Tatiana olhou para o marido, esperando ao menos uma única palavra dele.

Ele ficou em silêncio.

Então percebeu que a mesa estava vazia.  Havia apenas uma chaleira elétrica, quatro xícaras e um bolo comprado dentro de uma caixa plástica transparente. Esse foi o primeiro sinal.

Mikhail já estava sentado no sofá, sem casaco, totalmente absorvido no telefone. Por um instante levantou o olhar, fez um gesto com a cabeça para ela, mas não se levantou.

Esse foi o segundo sinal.

— Tira o casaco e entra — gritou Galina Petrovna da cozinha.

— Vamos tomar chá.  Tatiana deixou o casaco e tirou os sapatos. Já estava acostumada com aquelas visitas mensais: sábado, almoço, conversas intermináveis sobre trivialidades e depois o retorno para casa. Mas hoje tudo parecia diferente.

— Misha, por que a mesa não está posta? — perguntou ela baixinho, sentando-se ao lado dele.

— A mamãe disse que vamos só tomar chá — respondeu ele.

— Ela quer conversar conosco.

Nesse momento entrou Artyom — o irmão mais novo de Mikhail, com um sorriso largo, camisa desabotoada e um perfume caro. Abraçou Tatiana, deu um tapinha no ombro do irmão e sentou-se à frente deles.

— Tânia, você está maravilhosa — disse ele alegremente.

— Está literalmente brilhando.

— Obrigada, Artyom.

— Você também está muito bem.

Galina Petrovna trouxe o bule e colocou cuidadosamente as xícaras na mesa. Cada movimento dela era preciso, quase cerimonial. Sentou-se na cabeceira e olhou para cada um deles.

— Então, já estamos todos aqui — disse ela.

Havia algo incomum em sua voz.  Uma mistura de tensão e determinação.

— Mãe, deixa eu falar — começou Artyom.

— Não — interrompeu Galina Petrovna imediatamente.

— Eu vou explicar.

Endireitou as costas.

— Artyom pediu a Kristina em casamento.

— Estamos muito felizes.

— Ela é uma garota maravilhosa e modesta.

Tatiana sorriu. Ela conhecia Kristina.

— Parabéns, Artyom — disse sinceramente.

— Quando será o casamento?

— Estamos pensando no verão — respondeu ele.

— Junho ou julho.

— Ótima notícia.

O chá foi servido, e o bolo cortado. Mas Galina Petrovna parecia inquieta. Várias vezes parecia que ia falar algo, mas se segurava.

Finalmente, disse:

— Casamento é uma coisa séria.

— Custa muito dinheiro.

— Muito dinheiro.

— Claro — concordou Tatiana.

— Exatamente por isso que reuni vocês hoje — disse Galina Petrovna.

— Você vai pagar o casamento do Artyom.

Um silêncio pesado caiu sobre a sala.

— Entendi corretamente? — perguntou Tatiana calmamente.

— Vocês querem que eu pague o casamento?

— Não quero — respondeu friamente a sogra.

— Eu exijo.

— E por quê eu?

— Porque você tem dinheiro.

— Comprou um carro novo.

— Viaja todos os anos.

— Tem um apartamento de três quartos.

— E Artyom não tem nada.

Tatiana respirou fundo.

— E os outros?

— Cada um tem seus problemas — respondeu imediatamente Galina Petrovna.

— E eu sou o quê? Um banco?

— Nós somos família — disse a sogra.

— A família se ajuda.

Nesse momento, Tatiana entendeu que aquilo não era um pedido.

Era uma exigência.

— Tudo bem — disse ela.

— Posso falar com Artyom?  Artyom evitava seu olhar.

— Você sabia que sua mãe pediria isso? — perguntou Tatiana.

— Bem… mais ou menos — admitiu ele.

— Mas não foi minha ideia.

— Não estou perguntando isso.

— Estou perguntando se você pensou em outra opção.

— Crédito é uma armadilha de dívidas — interrompeu Galina Petrovna.

Tatiana virou-se para o marido.

— Misha.

— O que você acha?

Mikhail finalmente falou.

— Sinceramente, eu também fiquei surpreso.

— Mas… você pode pagar.

— Para você não é um grande valor.  Tatiana olhou para ele, chocada.

— Então você está dizendo que eu devo pagar só porque posso?

Silêncio.

E esse silêncio foi resposta suficiente.

Tatiana se levantou.

— A conversa ainda não acabou! — gritou a sogra.

— Acabou — respondeu Tatiana.

— Vocês me trouxeram aqui como um caixa eletrônico.

— Se você sair agora, nunca mais volte! — gritou Galina Petrovna. Tatiana parou por um instante na porta.

— Tudo bem — disse baixinho.

— Eu aceito.

Depois saiu.

A porta se fechou atrás dela.

Desceu as escadas.

Entrou no carro.

Ligou o motor.

E foi embora.

Sem olhar para trás nem uma vez.

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