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Uma matilha de lobos cercou o ônibus, mas os predadores não atacaram: os passageiros observavam aterrorizados o comportamento dos animais selvagens, mas o que aconteceu em seguida deixou todos sem palavras.

by ptimpress1303
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Uma matilha de lobos cercou o ônibus, mas os predadores não atacaram: os passageiros observavam aterrorizados o comportamento dos animais selvagens, mas o que aconteceu em seguida deixou todos sem palavras

O ônibus avançava pela estrada com segurança, mas também com cuidado, como se soubesse que nenhum erro seria permitido naquele dia. As rodas giravam lentamente sobre a neve compacta, às vezes escorregando levemente nas partes congeladas, e o motorista corrigia imediatamente a direção para evitar deslizes.

Lá fora, uma verdadeira tempestade de inverno rugia. A neve caía como um muro denso, o vento uivava tão forte que parecia arrancar o telhado e levá-lo para o vazio branco.

Dentro do ônibus, estava quente, mas as pessoas permaneciam com casacos e cachecóis. Os vidros estavam embaçados e cobertos por desenhos de gelo. Alguns olhavam para fora, tentando distinguir a estrada, outros apenas esperavam em silêncio chegar à vila mais próxima.

O motorista — um homem de cerca de cinquenta anos, com rosto cansado e mãos fortes — conduzia devagar e concentrado. Ele conhecia aquelas estradas há anos e sabia que, no inverno, erros não eram perdoados. Especialmente em um dia como aquele.

De repente, ele semicerrrou os olhos.

À frente, através do véu de neve, algo se movia.  No início, parecia apenas montes de neve arrastados pelo vento. Depois, pensou que talvez fossem cães. Mas um segundo depois, um arrepio percorreu sua espinha.

Não eram cães.

— Agora não… — murmurou baixinho.

As formas se tornaram mais claras. Primeiro uma, depois outra, e mais algumas. Silhuetas cinzentas e alongadas surgiam lentamente na estrada e paravam bem à frente do ônibus.

Lobos. Não um ou dois. Dezenas.

O motorista freou bruscamente. O ônibus deslizou levemente, as rodas rangeram sobre o gelo, e parou apenas alguns metros antes da matilha.  O silêncio tomou conta do interior.

— O que aconteceu?.. — perguntou baixinho uma mulher nos bancos de trás.

Mas ninguém respondeu. Todos já haviam entendido.

As pessoas começaram a se levantar, aproximar-se das janelas e limpar o vidro embaçado com as mangas. E, no momento seguinte, um medo silencioso percorreu o ônibus.

— Lobos… — sussurrou alguém.

A matilha estava bem à frente deles. E não só à frente.

Enquanto os passageiros olhavam para frente, os lobos começaram a aparecer também nas laterais e atrás. Moviam-se lentamente, quase sem fazer barulho, pisando suavemente na neve, como sombras. Seus olhos brilhavam na luz cinzenta; não rosnavam, não atacavam.

Eles simplesmente cercavam o ônibus. Como se soubessem exatamente o que estavam fazendo.

— Eles vão atacar… — disse um homem com voz trêmula na janela.

— Fechem as portas! — gritou uma mulher.

— Vão quebrar os vidros… — murmurou outro.

O motorista segurou firme o volante, os dedos ficaram brancos, e ficou imóvel, apenas olhando à frente, tentando compreender a situação.

Era estranho.

Os lobos não agiam como o normal. Não estavam agitados, não mostravam os dentes, não tentavam atacar. Ficavam ali, como se estivessem esperando algo.

De repente, um deles deu um passo à frente. Depois outro. E naquele momento aconteceu algo que assustou todos dentro do ônibus  Eles chegaram quase até o ônibus, mas não olhavam para os passageiros. Olhavam… para o lado. O motorista franziu a testa.

— Esperem… — disse baixinho, inclinando-se para o para-brisa.

Através da neve, um pouco além da estrada, ele distinguiu algo escuro sobre o fundo branco. No início, parecia apenas um monte de galhos ou destroços. Mas o vento parou por um instante, e a silhueta se tornou clara.

Um homem.

— Tem alguém ali… — sussurrou o motorista.

Os passageiros congelaram. Ele rapidamente limpou o vidro com a manga para ver melhor. Sim. Um homem.

Ele estava deitado de lado, quase coberto pela neve, imóvel.

— Meu Deus… — respirou uma mulher.

— Ele está vivo? — perguntou alguém.

O motorista não respondeu. Olhava para os lobos. E de repente tudo fez sentido. Eles não cercaram o ônibus para atacar. Cercaram para pará-lo. Para que alguém cuidasse daquele que não podia mais se levantar.

Naquele momento, um dos lobos aproximou-se lentamente do homem caído e ficou ao lado dele, como se o estivesse protegendo.

E então uma nova onda de emoções percorreu o ônibus.

Mas não era mais medo. Era choque.

— Eles… nos trouxeram até aqui… — disse baixinho o motorista.

Ninguém respondeu.

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